A graça de trabalhar

A graça de trabalhar

No sétimo capítulo da regra, Santa Clara escreve: “As irmãs a quem o Senhor deu a graça de trabalhar, ocupem-se fiel e devotamente, depois da hora de Tércia, num trabalho honesto e de utilidade comum. Façam-no de tal maneira que evitem a ociosidade, inimiga da alma, mas não apaguem o espírito da santa oração e devoção ao qual todas as demais coisas temporais devem
servir.”

Clara refere-se ao trabalho como graça divina. Graça é expressão de benevolência, liberdade e gratuidade. Receber a “graça de trabalhar” significa ter no coração o dom de amar e servir a exemplo de Jesus Cristo que veio para servir e dar a sua vida (cf. Mt 20,28). De modo que, quanto mais o homem se dispõe a servir, tanto mais está na graça de trabalhar.

Nos escritos de Santa Clara e S. Francisco encontra-se algumas vezes a expressão “trabalhar com as próprias mãos”. O trabalho manual faz parte da opção fundamental de vida de Santa Clara. Mesmo doente, ela não deixou de trabalhar, conforme atesta o o Processo de Canonização de Santa Clara: “depois que (ela) ficou doente a ponto de não se poder levantar-se da cama, fazia com que a erguessem para ficar sentada e sustentada com alguns panos por trás das costas e fiava” (PC 1,11). E enquanto fiava, outras Irmãs transformavam os fios em tecido, outras ainda costuravam o tecido e com ele confecionavam corporais para o sacrifício do altar nas Igrejas das planícies e dos montes de Assis (cf. PC 1,11). Trata-se de um bom exemplo de trabalho realizado em comunidade, para “utilidade comum”.

Clara chama a atenção para a necessidade de trabalhar para “afugentar o ócio, inimigo da alma” (RSC VII,1), e em vista do “bem comum” (RSC VII,1). Isto significa que os trabalhos são fundamentalmente serviços à comunidade e, nessa perspetiva, qualquer retribuição recebida pelo trabalho prestado também deve ser para o bem de todas as Irmãs.

Se nem só de pão vive o homem, é certo que não podemos passar sem ele. Por isso procuramos, como nos exorta Santa Clara, trabalhar fiel e devotamente, sem apagar o espírito da santa oração, para podermos fazer face a todas as despesas comunitárias e sociais, pois o Estado não perdoa.

Além dos trabalhos domésticos próprios de qualquer casa, cultivamos os produtos hortícolas e vegetais que consumimos.
Confecionamos hóstias para as Eucaristias em diversas paróquias e outros trabalhos manuais. Para nós, o trabalho é também uma forma de pobreza e partilha com os mais pobres.

 

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